Foi durante a Invasão Francesa de 1808, que a população de Boticas decidiu enterrar o que tinha de mais valioso: ouro, dinheiro, burel, sementes e vinho, face não só ao avanço das tropas francesas comandadas pelo General Soult, mas também pelo facto das sucessivas pilhagens de que estavam a serem alvo por parte dos invasores, que tudo saqueavam para se alimentarem, assim como levavam todos os bens da população, incendiando posteriormente grande parte das habitações.
Foi depois da retirada das forças invasoras, a partir de 15 de Maio de 1809, que a população de Boticas resolveu reaver os seus bens escondidos.
Depois da retirada do Exército Napoleónico, ao desenterrarem o vinho, que julgavam já estragado, em face do tempo que esteve escondido, verificaram com agrado que o mesmo apresentava uma cor palhete, sabor agradável, com uma graduação de 10º / 11º, e com algum gás natural, que adquiriu face a uma fermentação feita no escuro e a uma temperatura quase constante.
A população depois de ter saboreado o precioso néctar passou a denominá-lo "VINHO DOS MORTOS", tradição que ainda hoje se mantém, enterrando o precioso néctar, no mínimo, durante um a dois anos.
Hoje pretende-se preservar, divulgar e promover o "VINHO DOS MORTOS", como genuíno produto das vinhas sobranceiras nas encostas que possuam as condições climatéricas e solo adequado à sua produção.